Nudismo: alterações ou declínio ?

A partir do artigo original e da opinião em inglês aqui publicada, voltamos ao assunto na nossa língua.

Aproveitamos ainda para acrescentar mais um artigo sobre o tema que pode lido aqui.

Podemos colocar várias questões sobre o tema:

  • Declínio ou mudança?
  • As organizações estão preparadas para esta nova era?
  • Como lidar com a dualidade do problema?
  • Como lidar e aproveitar as mudanças em curso?
  • A situação em Portugal?
  • Declínio ou mudança?

Ao longo dos tempos as sociedades e as pessoa mudam, os interesses, os objectivos, as prioridades e tudo o que nos relaciona com a nossa envolvência social, politica e económica estão em permanente mudança.

Neste contexto é perfeitamente natural que a vida a nu independentemente da sua forma de expressão esteja também ela em permanente mudança.

Alguns textos sugerem a possibilidade de esta mudança ser o declínio das  organizações ligadas à actividade naturista ou nudista ou mesmo uma grande alteração à actual realidade tal como a conhecemos, outros apontam para uma nova forma de ser e estar no naturismo ou em outras formas conhecidas e estruturadas de estar a nu.

A nova tendência de utilizar a expressão “clothes free” já por si só indica que algo mudou ou está em mudança.

A questão do declínio em si está posta de parte, excepto para as organizações ou espaços que não se adaptem a novos conceitos e a novos membros com ideias  e objectivos diferentes.

A diferença entre os jovens e os seniores no que respeita a viver a nu nunca foi tão diferente como agora, os primeiros são mais resistentes às organizações estruturadas e aos espaços comerciais, optando pela pratica mais informal e independente.

Mas o maior perigo vem de fora, de uma sociedade menos tolerante e de uma maior pressão sobre as praias naturistas. Se o caminho não se inverter as próprias organizações naturistas, nudistas, etc serão insuficientes para travar esta possibilidade cada vez mais presente.

  • As organizações estão preparadas para esta nova era?

As organizações tem vindo a perder adeptos, sendo os motivos vários, não se pode deixar de apontar ao seu envelhecimento um dos factores mais preponderantes.

A idade que torna e reforça ainda mais a diferença para com os jovens, torna-se numa espécie de pescada com o rabo na boca.

As organizações tornam-se menos atraentes para os jovens, logo envelhecem ainda mais, logo tornam-se ainda menos atraentes.

Os números apresentados poderão suportar a ideia que as organizações acordaram tarde demais para o problema, por norma tendem a virar-se sobre si mesmas e sobre os seus membros, esquecendo-se de procurar nos que estão fora e nos mais novos uma fonte de rejuvenescimento e de recrutamento de novos associados.

Tudo isto conjugado com a intolerância e a pressão vão levar a novas formas de defender e promover a vida a nu, obrigando a uma transformação rápida que terá de ser bem sucedida sob pena de se ficar pelo caminho.

  • Como lidar com a dualidade do problema? 

A solução vale ouro, devido a ser difícil de encontrar, fazer a ponte entre o presente e o futuro é percorrer um caminho desconhecido, é tentar juntar gerações que falam de forma diferente e por meios diferentes.

As mudanças terão sempre de vir dos que já estão dentro das organizações e como tal dos mais velhos para os mais novos, dada  a fraca apetência  destes pelo formalismo organizacional.

Esperar que os mais novos mudem em direcção aos nossos ideais, é quase como vender um frigorífico a um esquimó, o seu grau de concretização é e será sempre quase nulo.

As organizações terão de se reinventar, de procurar formas mais rápidas de comunicar e de fazer, agilizar processos e formas de trabalhar e de executar tarefas, focando-se os seus membros e na sua cada vez menor tendência e vontade  para perder tempo e sobretudo para viverem no imediato.

Um claro exemplo do que tem de mudar é a forma de comunicar das organizações, dos artigos algo longos como este, em prol de mensagens curtas e directas.

Externamente será ainda mais difícil, será uma “luta” de quase todos de um lado contra quase nenhuns do outro, pois os milhões de naturistas em todo o mundo não deixam de ser apenas uns quantos quando comparados com a totalidade da população.

A receita não será simples, e provavelmente terá de ser descoberta e aplicada na passada, porque o tempo esse não pára e não espera.

  • Como  lidar e aproveitar as mudanças em curso?

De forma simples e directa, com acção e pragmatismo.

Procurar que os mais antigos se adaptem mais aos mais novos do que o contrário.

Criar produtos para os mais novos ou seja no mundo das organizações, criar quotas e actividades viradas para os jovens.

Organizar eventos simples e intensos com forte grau de participação, evitando grandes deslocações ou escolhendo espaços de autonomia completa, porque os jovens gostam de chegar, ficar e partir em vez de saídas para comprar o básico.

Comunicar numa linguagem universal adaptada ao local e aos participantes e fugir também aqui do formalismo das comunicações a 3 línguas como as que a INF e ENY adoptam.

Recuar quando for caso disso e reagrupar para defender os espaços mais emblemáticos sabendo e tendo consciente que não salvaremos todos eles.

  • A situação em Portugal?

Em Portugal as mudanças são significativas, se por uma lado o associativismo está estável, embora negativamente ruidoso, a falta de jovens nas suas fileiras é já demonstrativo do cenário vindouro.

Este desfasamento com outros países permitem te mais tempo para responder a estes novos desafios e adaptar a estrutura para os enfrentar. Resta penas que as nossas organizações saibam aproveitar esta janela de oportunidade, que vai ser de curta duração, dada a velocidade com os que os acontecimentos mudam nos nossos dias.

Fora do associativismo a mudança é muito visível, praias mais cheias, mas também com mais têxteis.

Mais jovens e mais mulheres nas mesmas, iniciativas a nu oriundas de fora do meio mostrando o potencial do que poderá vir a ser esta mudança em curso.

Enquanto natural defensor da necessidade do associativismo e da adesão em larga escala aos mesmo, originando uma grande representatividade para todos os praticantes da vida a nu, esta realidade só será possível através de uma grande adaptação à mudança e ao futuro, bem como pelo aparecimento de um grande numero de associações de defesa dos interesses locais, levando a uma grande proximidade entre praticantes e organizações.

Para nós e por enquanto os movimentos menos tolerantes ainda estão fora do nosso horizonte, mas são uma tendência mundial e também com o mesmo atraso vão chegar, urge por isso preparar o futuro, atenuando o impacto da sua chegada.

O passado está nas linhas acima, o presente nesta e o futuro será o caminho natural que iremos percorrer ao sair desta página.

Boa caminhada!

 

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